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Co-fundador da Azul expande empresa de logística

21/05/2019

 

Ainda que o mercado de transporte aéreo de cargas seja pequeno, para Lee, “voar a mercadoria não é um luxo” e pode ser acessível para mais empresas

O mercado de transporte aéreo está agitado, enquanto aguarda o desfecho da venda da Avianca Brasil e as consequências para o mercado de aviação comercial. No entanto, há empreendedores dispostos a se aventurar nesse mercado e construir uma companhia nova, buscando nichos ainda pouco desenvolvidos.

Gerald Lee em frente a um avião da Modern Logistics, empresa de logística com foco em transporte aéreo de carga

 (Modern Logistics/Divulgação)

É o caso de Gerald Lee, co-fundador da Azul e ex-vice presidente de desenvolvimento de negócios da JetBlue. Depois de passar anos na direção de grandes companhias aéreas de passageiros, ele aposta na expansão da Modern Logistics, empresa de logística com foco em transporte aéreo de cargas.

A companhia busca captar investimentos de 200 milhões de dólares para ampliar suas operações. Para isso, contratou o banco de investimento Evercore, que buscará novos investidores estrangeiros. A empresa busca um novo aporte para a compra de aeronaves e construção de novos centros de distribuição. Ela tem hoje cinco aviões.  Como comparação, a Gol tem 122 aviões em operação, a Azul, 125, e o grupo Latam, 312. 

A maior investidora da Modern é a DXA Investiments, que já realizou aportes que somam 50 milhões de dólares. A companhia recebeu o primeiro investimento em 2014 e, até agora, já levantou 100 milhões de dólares.

O mercado de logística no Brasil hoje tem custo de 811,8 bilhões de reais. No entanto, apenas 0,4% dos produtos são transportados por via aérea. Cerca de 61% são enviados por rodovias, 20,7% por ferrovias e 13,6% pelo meio aquaviário. O meio dutoviário, ou seja, por tubulações, responde por 4,2% do total, segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes.

Ainda que o mercado de transporte aéreo seja pequeno, para Lee, “voar a mercadoria não é um luxo” e pode ser acessível para mais empresas com o desenvolvimento da malha logística.

Isso porque os aviões são uma maneira muito mais rápida de levar o produto ao seu destino. O tempo médio por avião é de apenas algumas horas, enquanto o transporte por caminhão entre São Paulo e Recife, por exemplo, pode levar de 3 a 5 dias e a viagem entre São Paulo e Manaus pode demorar mais de 30 dias.

Lee aposta que o ganho no tempo pode significar ganho em eficiência e que isso pode chamar a atenção dos clientes. A Modern tem cerca de 50 clientes, como empresas farmacêuticas, fabricantes de insumos agrícolas, companhias de eletrônicos, indústrias de beleza e montadoras de carros e motos.

Transporta também cargas especiais, como animais vivos, equipamentos eletrônicos de alto valor, cristais ou louças frágeis e explosivos. Esse tipo de produto exige cuidados, o que dificulta o transporte em aviões de passageiros. Um dos clientes é a Harley Davidson, para o transporte de produtos de sua fábrica em Manaus para 21 concessionárias em todo o país.

A companhia surgiu com cinco aviões, quatro Boeing 737 e um Gran Caravan Cessna, adaptados para cargas. Para o segundo semestre deve receber mais dois Cessna e um Boeing 737 e o plano para 2022 é de chegar a 20 aeronaves. Oferece ainda transporte rodoviário, com 14 mil veículos de parceiros terceirizados.

Além do transporte, a Modern passou a oferecer gestão do estoque para seus clientes. Tem cinco centros de distribuição localizados próximos a aeroportos e deverá abrir mais dois no segundo semestre.

Fonte: Por Karin Salomão- Exame

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